Querido diário, eu estou escrevendo porque eu quero dizer que nunca antes na história dos diários vimos tantas pessoas trabalhando em uma profissão tão exótica que é ser: fantasma. Um pouco incomum eu admito, muito embora seja uma profissão muito comum, principalmente no Brasil.
Querido diário, eu estou escrevendo também porque não acredito no que ouvi. Uma menina foi contratada para trabalhar na Assembleia Legislativa Paranaense em 1988, quando tinha apenas 13 anos. Até aí tudo bem – digamos assim – porque é normal, na corrupção, obter vantagens para o benefício próprio, mas nada é tão surpreendente que não possa nos surpreender mais ainda.
Consta que esta menina, atualmente, está de licença médica e as investigações não poderão continuar enquanto ela não “voltar” ao trabalho. Querido diário, eu acredito que está tão indignado quanto eu; nós, população, é que pedimos: dá licença. E ainda encontram uma desculpa, tão mal elaborada.
Eu acho que deveriam contratar um funcionário fantasma só para fazer desculpas mais convincentes. São indiferentes com os problemas sociais, não estão nem aí com a população e os funcionários fantasmas (que constam ou não nos diários) também não estão.
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