domingo, 19 de setembro de 2010

Queimadas



 

 Onde árvores brotaram, viviam; agora chamas, labaredas parecem brotar da mata, apenas brotam, nascem para matar hectares; organizam-se em linhas, espalhando-se, alastrando-se rapidamente com a ajuda do vento; vão queimando animais, árvores, tudo. Ganhando mais energia com a combustão, o fogo espalha veneno no ar, monóxido de carbono. Respirando fundo, sentimos as consequências.
Extensão da seca; rios de lama, seca; chuva sem previsão. Tudo ajudando o fogo em sua missão de destruir, alimentando-se de cores que estão em sua frente, deixando para trás tudo cinzento.
A esperança vem de avião, lançando uma chuva improvisada; a esperança vem da terra, com a força e o fôlego das brigadas de incêndio que andando pela mata e contra o tempo tentam conter os focos de fogo. Tiram a fome destruidora do fogo comendo-o com as próprias mãos. Papando o fogo tentam apagar - infelizmente um pouco - do que está apagando as cores, comendo e destruindo a natureza.

Referência: Foto

 

sábado, 11 de setembro de 2010

Enchentes

Dos erros tiramos lições que nos fazem refletir sobre estes erros que passaram, aparentemente, despercebidos. Lições que levamos para não cometer os mesmos erros novamente, aprendendo com a experiência que estes proporcionam. E a lição é tirar o que podemos para melhorar.
Enchentes em Santa Catarina, uma calamidade que poderia ter sido evitada ou pelo menos amenizada. E o que ocorreu em Santa Catarina, e em outras enchentes anteriores, poderia ter servido de exemplo para que isto não ocorresse ou pelo menos em menor proporção.
Enchentes e deslizamento no Rio de Janeiro, deveria ter sido feito um acompanhamento da área de risco, que antes era um lixão e a população deveria ter sido avisada. Mas não foi o que ocorreu, o que aconteceu foi mais uma calamidade que poderia ter sido evitada. Medidas preventivas poderiam ter salvado muitas vidas. Há apenas medidas corretivas e com tanta correção, ainda continuam fazendo errado.
Escrito em: 11/04/10

A Tão Citada Ponte

Houve um tempo em que eu acreditava em tudo que diziam para mim, geralmente, os adultos inventam histórias para não responderem com exatidão as perguntas que as crianças fazem, porque tem seus assuntos de adultos ou por não terem certeza da resposta e não podem deixar as crianças parem de pensar que os adultos têm respostas para tudo. Com o tempo as crianças descobrem a verdade e passam a duvidar de tudo.
Quando virei vegetariana perguntavam-me os motivos. As respostas eram sempre as mesmas (e dependendo de como fosse a reação de quem ouvia eu continuava com mais ênfase na minha explicação). Por amor a natureza, que é destruída para ser transformada em pasto; pelos hormônios que as indústrias “injectam” para o crescimento de animais (bovinos, suínos etc.) que alimentam a indústria alimentícia e, principalmente, por me sentir bem comigo mesma.
Quando eu falava que não comia carne, algumas pessoas ficavam espantadas, outras apoiavam, mas diziam que não tinham esta coragem, havia também as que riam e as que achavam um absurdo e tentavam me convencer em desistir de o ser.
Alguém, no começo da minha nova dieta, me disse uma frase que me fez pensar: “Não vai adiantar nada você parar de comer carne por amor a natureza, porque todo mundo vai continuar comendo!”. Logo pensei na ponte, na tão citada e famosa ponte, que acredito que a maioria dos adultos já a citaram como exemplo para uma criança que diz: “fulano pode fazer ou fez tal coisa, por que eu não posso?”. Aí alguém fala: “Se o fulano pular de uma ponte, você também vai pular?”. Se todo mundo come carne eu também tenho que comer?
Não podemos deixar que o conformismo tome conta de nossas ações, em pensar: “Não posso reclamar, porque conheço alguém que está em uma situação pior do que a minha”, ou seja, a minha ponte pode estar arrebentando, mas a ponte do outro já está quase caindo. Temos que seguir o que acreditamos, pensamos e buscamos para nossa vida, sem nos compararmos com os outros, desde que seja apenas um referencial negativo para termos a certeza que não queremos seguir o mesmo caminho ou positivo como um incentivo para continuarmos buscando nossos objetivos.
Com o tempo me adaptei psicologicamente a minha nova dieta, mas percebi (e senti também) que eu deveria ter excluído a carne gradualmente, e não de um dia para o outro, tive vertigens e desmaiei uma vez.
Não sou mais vegetariana, quero voltar a ser futuramente, mas voltei a comer carne porque a ponte começou a arrebentar (não por causa dos carnívoros que roíam as cordas), voltei a me sentir mal e as vertigens aumentaram. Antes de voltar a ser vegetariana irei, desta vez, consultar um nutricionista. E quando me perguntarem: “O que você vai comer para substituir a carne?”. Terei uma resposta mais plausível. Porque a carne, com certeza, é substituível, mas a natureza não.

sábado, 4 de setembro de 2010

Uma flor (homenagem à Zilda Arns)

Uma Flor
As sementes de uma flor, foram plantadas em Florestópolis- PR, germinou pelo Brasil e ganhou o mundo. Uma flor que com toda a sua simplicidade e determinação, espalhou esperança e solidariedade por onde passou.
Não era uma rosa, como a de Vinícius de Morais, nem poderia ter tal comparação, apenas contradição. Enquanto a rosa de Vinícius, ou melhor de Hiroshima, era só destruição, matando e destruindo tudo. Esta flor só produzia luz e esperança, e foi para o Haiti com a missão de destruir, sim destruir, a fome e a mortalidade infantil.
A rosa de Hiroshima propagou o medo e irradiou - atômica - a destruição. A flor, muito pelo contrário, propagou e irradiou sua luz.
A rosa – de Hiroshima – chegando ao solo se partiu, com a missão de demonstrar o poder, do poder. A doce flor partiu, e sua missão será seguida como demonstração do poder da solidariedade.

Referências:
MORAIS, Vinícius de. Rosa de Hiroshima, poema.